Postagem em destaque

Por que não devo receber a Eucaristia?

Imagem retirada da Internet Primeiramente é preciso entender que no Evangelho de Mateus 19:3-9 -... Alguns fariseus aproximaram-se de...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Material da Semana Nacional da Família 2010


MATERIAL PARA TRABALHAR COM AS COMUNIDADES, GRUPOS E FAMÍLIAS SOBRE A SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA - 2010

1º ENCONTRO
AS RELAÇÕES E OS VALORES FAMILIARES SEGUNDO A BÍBLIA.
O cristão é chamado a orientar sua vida e seu relacionamento familiar, tendo como centro a Palavra de Deus. Jesus é o grande defensor da família e quer que a nossa família se assemelhe cada vez mais ao modelo de como foi a sonhada por Deus para nós. E como foi que, segundo a Bíblia, Deus sonhou a nossa família?
No livro de Gênesis 1, 26-28, vemos a criação simultânea do homem e da mulher e o fim primeiro de sua união está em serem fecundos e encherem a terra. E em Gênesis 2, 18-25 a criação dos dois sexos se vê como uma resposta a solidão. Estes dois textos deixam claro o valor unitivo e procriativo da união entre o homem e a mulher. A união matrimonial é o testemunho silencioso de quem diz: "Não me basta a mim mesmo, preciso do teu ser".
Surgem alguns profetas como Oséias e2, 4-6, e Jeremias 2, 2-4 que relacionam a aliança conjugal com a Aliança de Deus com a humanidade. Resgatando o sentido original do plano de Deus sobre a família: unidade, indissolubilidade e fecundidade.
Mais adiante, surge Jesus, como grande defensor da família, da dignidade e da igualdade da mulher, como vemos, entre outros, nas Bodas de Caná. Jesus cita os textos de Gênesis que vimos acima e em Marcos 10, 11-12, ainda mostra que a regra original vale para homens e mulheres. Aqui está a elevação sacramental do matrimônio: "Portanto, o que Deus uniu que o homem não separe" (Mc 10,9).
O matrimônio e a família são ideais e valores a se descobrir e viver em plenitude. Constituindo, assim, uma poderosa forma de evangelização para toda a sociedade. Nossa única esperança é que o bom senso das pessoas, unidos ao desejo pelo outro sexo, à necessidade da maternidade e paternidade que Deus inscreveu na natureza humana, resistam às intenções de substituir o plano de Deus.
Para conversar

  1. Deus tirou a mulher da costela de Adão e Santo Agostinho (354-430) diz "Não tirou da cabeça porque a mulher não é mais do que o homem; não tirou dos pés porque a mulher não é menos do que o homem, mas tirou do lado, porque são semelhantes e companheiros que caminham lado a lado". Como a Bíblia influencia na maneira de tratar meu esposo(a), pais e filhos?
  2. A Bíblia afirma que as dimensões unitiva e procriativa no casamento não devem ser separadas. Devem ter equilíbrio entre elas na prática de vida do casal. Isso acontece realmente nos dias de hoje?
  3. Quais valores que temos na nossa vida que foram adquiridos pela leitura da Bíblia?

Palavra de Deus:
Efésios 5, 21-33

Pontos para reflexão:
São Paulo está dizendo que só as esposas devem estar sujeitas aos seus maridos? E que só os maridos devem amar suas esposas? Não! Pelo contrario, a citação de São Paulo não pode ser entendida separadamente do contexto da Bíblia que diz, desde o Genesis, que a mulher é companheira do homem. Também o Evangelho afirma que o amor doação é o fundamento da vida cristã, que deve ser abraçado pela família. Portanto, o casal deve observar esse equilíbrio e testemunhar esses valores aos seus filhos.
Jesus foi fiel a sua Igreja amando-a e se entregando a ela, até a morte na cruz. A Igreja, como esposa de Cristo é, portanto, convocada a responder a esse amor fiel. Há uma profunda relação entre este grande mistério no matrimônio, onde esposo e esposa precisam entregar-se com o mesmo amor e a mesma fidelidade que Cristo tem pela Igreja.
Fatos da vida
Um padre estava fazendo uma palestra na preparação dos noivos na paróquia e fez a seguinte pergunta aos noivos:
- Por que as pessoas gritam umas com as outras? E obteve várias respostas:
- Ah, porque estão irritados um com o outro, ou porque estão com pressa e assim por diante.
Então o padre perguntou:
- Mas por que gritar quando o outro está tão perto?
Houve um silêncio total. E o padre continuou:
- As pessoas começam o namoro conversando muito, partilhando e com o tempo, pelas conquistas adquiridas, vão esquecendo o valor do diálogo e os corações começam a ficar distantes, pois já não sabem o que se passa na vida e no coração do outro e sentem que o outro está tão distante, que para sentir que está sendo ouvido, precisa gritar, para que a força da voz tente romper a distância.
Disse ainda o padre:
- Por isso que, quando as pessoas partilham sempre as suas alegrias e tristezas e conseguem uma harmonia conjugal, não precisam gritar um com o outro, pois o sentem bem perto, a ponto de muitas vezes precisar apenas sussurrar, pois sabe que está sendo ouvido; e outras vezes ainda, apenas olhar nos olhos, dispensando até mesmo voz. E na minha casa, no meu relacionamento, o que está prevalecendo?
Compromisso:
- Deus verdadeiramente torna-nos importante na nossa vida, quando reservamos para Ele um lugar na nossa agenda, então reúnam a família e encontrem um dia da semana para leitura e partilha da Palavra de Deus.
- Que marido e mulher encontrem pelo menos uma vez ao mês, um momento a sós para o diálogo conjugal.

Benção
Ó Deus, nosso Pai, dignai-vos abençoar e santificar nossas famílias, para que a vossa Palavra seja o nosso Pão de cada dia, e com esse alimento possamos crescer e nos fortalecer para sempre. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.



























2º ENCONTRO :
FAMÍLIA: VALORES A DESCOBRIR E REDESCOBRIR
Desde algumas décadas, os valores do, os valores do matrimônio e da família sofreram repetidos assaltos que causaram graves danos no plano humano, social e religioso. Existem diversos valores que precisam ser redescobertos na vida matrimonial, mais ainda, o próprio matrimônio e a família devem ser vistos como valores fundamentais para o ser humano.
Assim ensina o Papa: "A essência da família e seus deveres são definidos pelo amor. É por isso que a família recebe a missão de guardar, de revelar e de comunicar o amor, reflexo vivo e participação real do amor de Deus para com a humanidade e do amor de Cristo Senhor para com a Igreja, sua esposa" (FC 17).
Para conversar
  1. Como você vê a importância do matrimônio e da família para a sociedade?
  2. Matrimônio e família são prioridades nas políticas públicas e na elaboração das leis no nosso país?
  3. Que ameaças concretas vêm sofrendo a família e o matrimônio em nossa comunidade?
Palavra de Deus: Mc 10,2-12.
Pontos para reflexão:
Existe sempre a necessidade de se voltar ao sonho inicial do Criador. Com o tempo os valores, por causa da dureza do coração do ser humano, vão se degenerando. Fere o plano inicial de Deus e fere a própria essência do ser humano. Cada vez mais o homem se distancia do caminho da verdadeira felicidade.
Faz-se necessário descobrir o lugar da fé no pacto da aliança dos esposos e o impacto que tem ou deveria ter em suas vidas. O Sacramento do Matrimônio deve ser vivido como um encontro com Cristo. Este existe desde as origens na criação, em vista de Cristo e de sua graça redentora, que instaura uma plenitude para o amor conjugal e familiar.
O Matrimônio cristão deve ser interpretado desde o seu começo, a partir do alto, isto é, a partir do ato cristão que o fundamenta. Este ato é a fé cristã, que quando está viva inclui sempre o amor e a esperança, e é fundamento sobre o qual repousa o dom mútuo dos cônjuges. É um ato que se dirige diretamente e imediatamente a Deus. Um voto de fidelidade a Deus porque Ele se manifestou primeiro por suas promessas e suas revelações como o eterno fiel, no qual se deve crer, no qual se deve confiar e a quem se deve amar. O voto de fidelidade ao esposo é pronunciado dentro deste voto de fidelidade a Deus.
Pelo sacramento os esposos casam-se no Senhor. "Desempenhando sua missão conjugal e familiar com a força deste sacramento, penetrados pelo Espírito de Cristo que impregna toda sua vida na fé, de esperança e de caridade, alcançam cada vez mais sua perfeição pessoal e sua santificação mútua: assim é como juntos contribuem para a glorificação de Deus" (Gaudium et spes 48).


"Família, sê aquilo que tu és!" repetia com força João Paulo II, o Papa da família: sê o que tu és: célula mãe da sociedade, santuário do amor, escola do Evangelho e valores humanos, a esposa de Cristo, patrimônio da humanidade, Igreja doméstica.
Somente consciente desta luz, vinda do encontro com Cristo, que a família pode hoje cumprir sua missão de educadora dos valores humanos e cristãos. "Faz de tua casa um Igreja", repetia a seus fiéis São João Crisóstomo (347-407).
Fatos da vida
Rogério e Bernarda têm dois filhos, Carlos e Natália. Viviam o seu cotidiano como um casal normal de cidade. No entanto, depois de nove anos de vida matrimonial, um pouco de rotina, certas incompreensões, tanto na vida do casal como no relacionamento com os filhos, tornaram-se cada vez mais evidentes. Um dia foram convidados por um casal amigo da paróquia para um retiro para casais de um final de semana. De início o convite não despertou muito interesse, mais tanto foi a insistência dos amigos, que cederam para ver como seria. Algo especial aconteceu na vida deles. Lá renovaram a fé e o encontro com o Cristo Vivo. Perceberam que na sua vida familiar faltava a consciência de seu matrimônio e da graça de Cristo que receberam no sacramento. Desde então ocorreu uma melhora qualitativa no que toca ao diálogo, ao respeito mútuo à dedicação, ao amor e a educação dos filhos. Ainda hoje são muito gratos aos amigos que foram instrumentos para sua renovação.
Compromisso
Comprometemo-nos como família, Igreja doméstica, santuário da vida, patrimônio da humanidade, tesouro dos povos, a dar mais espaço para a oração e cuidar melhor da educação dos filhos.
Benção
Ó Deus de infinito amor e bondade, sois comunhão na Trindade. Não sendo solitário e criando-nos a vossa imagem e semelhança, deste-nos a família como fonte de realização. Dai-nos o vosso Espírito, que Ele nos renove e dê vigor para vivenciarmos nossos compromissos familiares com fidelidade. Proporcionai-nos um verdadeiro encontro com Vosso Filho amado. Então faremos dele nosso hóspede querido, em nossa casa, e já experimentaremos, aqui na terra, as alegrias do festim celeste. Amém.









3º ENCONTRO:
FAMÍLIA E VIRTUDES SOCIAIS.
A família como comunidade de vida e amor, é o lugar por excelência onde são formados os homens e mulheres de caráter e personalidade direcionados para o bem. Ela é o ambiente adequado para desenvolver as qualidades e virtudes que alimentarão a vida do ser humano.
Como nosso assunto é virtude, vejamos, então, o que é virtude? Virtude, segundo o Catecismo da Igreja Católica, é uma disposição habitual e firme de fazer o bem. As virtudes humanas são disposições estáveis da inteligência e da vontade que uma pessoa deve seguir para o bem moral, apesar das dificuldades que pode encontrar. A virtude se pratica com atos que seguem um modo de viver baseado nos fins eticamente bons. A virtude também se pratica em todos os nossos relacionamentos sociais.
Uma relação é virtuosa se, de fato, favorece a virtude pessoal de quem está numa relação. A bem ver, por exemplo, o matrimônio é virtuoso não porque os esposos estão apaixonados, mas porque a relação matrimonial implica em primeiro lugar o bem dos cônjuges.
Existem dois tipos de virtude: virtude pessoal e social. A virtude pessoal refere-se à pessoa como tal tendo como centro a consciência individual. O seu fim é o aperfeiçoamento da pessoa, à sua plena humanização.
Já as virtudes sociais referem-se às relações entre as pessoas. O centro ainda é a consciência da pessoa, mas têm a ver com as suas atitudes, quando geram um bem ou um mal ao próximo. O seu fim é aperfeiçoar a vida social, que consiste em melhorar os relacionamentos interpessoais: o bem comum, a justiça, a solidariedade e a paz.
As relações familiares geram um clima caracterizado pela confiança, cooperação, reciprocidade, dentro do qual crescem as virtudes pessoais e sociais. As virtudes sociais geradas pela família são necessárias para formar no cidadão o capital social, humano e espiritual da sociedade.
É preciso desenvolver na família a capacidade de refletir sobre si mesma, a respeito de seus valores e virtudes de ser e de se renovar, enquanto família. É importante as famílias se despertarem para uma consciência da sua própria missão de ser virtuosa na sociedade. O estado pode e deve ajudar nesta tarefa.
Para conversar:
  1. O respeito é uma virtude pessoal que depende da consciência individual. Que outras virtudes pessoais são aprendidas na família?
  2. A justiça, a solidariedade e a paz são virtudes sociais. Como a família contribui na formação dessas virtudes?
  3. Em nossa comunidade existe alguma iniciativa de recuperação das famílias que sofrem com problemas gerados pelos vícios, pela falta de fraternidade e tantos outros problemas sociais? Como conhecer melhor e colaborar com ela?



Palavra de Deus:
Mateus 5,1-12.
Pontos para reflexões:
O ser humano vive em busca da felicidade, muitas vezes crendo que a encontrará por meio de uma realização individual até mesmo egoísta. Segundo o evangelho, feliz é aquele promove a paz e a justiça, que são virtudes a serem cultivadas para o bem de toda sociedade.
A paz significa tranqüilidade, direito, justiça. É a felicidade pessoal e coletiva. Quem promove a paz é verdadeiramente filho Deus, porque está agindo de maneira semelhante ao pai.
Sem justiça o ser humano está em situação de morte. O reinado de Deus que é a prática da justiça significa sociedade humana, vida digna.
"Felizes os misericordiosos". Ou os que sentem na pele o problema do outro e prestam ajuda. Não se trata simplesmente de sentimento, mas do verdadeiro culto a Deus. E esse culto é criar laços de solidariedade a partir da prática da justiça e da misericórdia.
"Felizes os puros de coração" ou retos "porque verão a Deus". Trata-se da integridade ou retidão. Tal integridade ou retidão de comportamento cria novas relações, onde há confiança mútua, porque há transparência entre as pessoas.
Fatos da vida
Helder é o décimo primeiro filho de uma família de treze irmãos. Desde tenra idade, demonstra seu amor pelas coisas de Deus. Sua brincadeira preferida era "celebrar missa" montando um altarzinho onde tentava repetir tudo o que via o padre fazer.
Os anos foram passando e ia reforçando cada vez mais a idéia de ser padre. Entre seus 8 e 9 anos vendo seu pai que a idéia persistia, o mesmo chamou o filho e lhe disse:
    - Filho, você está crescendo e continua a dizer que quer ser padre, mas você sabe de verdade o que significa ser padre?
O menino quieto, meio acabrunhado com o questionamento do pai, que prosseguiu:
    - Você sabia que para uma pessoa ser padre ela não pode ser egoísta, não pode pensar só em si mesma? Ser padre e ser egoísta é impossível, eu sei, são duas coisas que não combinam.
O olhar de Hélder revelava a atenção que dispensava às palavras do pai. Mais ainda não teve forças para falar o que estava pensando. E o pai continuou: - Os padres acreditam que quando celebram a eucaristia é o próprio Cristo que está presente. Você já pensou nas qualidades que devem ter as mãos que tocam diretamente o Cristo?
Hélder, então, resolveu responder:
    - Pai, é um padre como o senhor está dizendo que eu quero ser. O menino parecia convicto, e como já havia anos que manifestava cotidianamente aquele desejo, João, seu


pai,concluiu que o melhor a fazer era ajudá-lo a conseguir o que queria e dizendo um "Deus te abençoe" começa assim o envio e formação de Hélder no seminário.
Aluno aplicado sobressaiu em seus estudos, idéias e ações sempre em favor dos colegas que ajudava constantemente com seus dons. Ordenou-se padre a 15 de agosto de 1931.
Nos seus 54 anos de sacerdócio como padre, bispo e arcebispo, exerceu profunda liderança na Igreja do Brasil. Liderou a formação do Secretariado Nacional da Ação Católica, a organização da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil, da qual foi secretário geral, e sempre esteve ao lado dos menos favorecidos. Não foi entendido em muitas de suas atitudes perante governos e as lideranças da própria Igreja.
Uma das suas obras, o Banco da Providencia, que tem por finalidade melhorar as condições de vida das pessoas colocadas em situação de miséria pelas injustiças próprias da sociedade brasileira, foi uma de suas bandeiras. Como grande defensor dos menos favorecidos foi perseguido e incompreendido, mas até o fim de sua vida dedicou com afinco aos menos favorecidos.
Compromisso:
Verificar em nossas famílias as virtudes da lealdade, fidelidade, justiça social, bem comum, solidariedade e paz são vivenciadas e comprometer-se a testemunhá-las melhor todos os dias.
Benção:
Senhor, Pai de amor e de bondade, ajudai-nos a buscar os valores do Reino. Reconhecemos que a verdadeira felicidade está em amar-vos e servi-vos no próximo, buscando o bem de todos. Abençoai nossas famílias para que sejam sementeiras dos valores evangélicos e das virtudes sociais. Isto vos pedimos por Jesus Cristo, Nosso Senhor na unidade do Espírito Santo. Amém.












4º ENCONTRO:
A PARÓQUIA: ORGANISMO QUE AJUDA A FAMÍLIA NA FORMAÇÃO DE VALORES.
A paróquia, mais que um território, estrutura ou edifício, é uma comunidade de fiéis, isto é, uma comunidade onde se descobre o rosto familiar e próximo da Igreja; que está constituída na Igreja Particular, como uma célula sob a autoridade do bispo diocesano, cujo cuidado pastoral se recomenda a um pároco, que exerce de maneira autônoma, porém em colaboração com o bispo, e cujo dever é "acompanhar as pessoas e famílias ao longo de sua existência na educação e crescimento de sua fé" (Puebla).
A paróquia é a própria Igreja que vive entre as casas de seus filhos e de suas filhas. É a casa comum onde todos são bem acolhidos. É o lugar da comunhão dos crentes e, por sua vez, sinal e instrumento da comum vocação à comunhão.
A paróquia é o lugar de encontro do cristão, das famílias, onde se dá a comunicação fraterna de pessoas e de bens. As paróquias são células vivas da Igreja e lugares privilegiados onde as famílias podem viver a experiência do encontro com Cristo e de sua Igreja.
Para conversar:
  1. Da parte das famílias, que relação temos com nossa paróquia, no que se refere à comunhão e participação de vida litúrgica, pastoral e caritativa?
  2. Da parte do organismo paroquial, que atenção é dada à família e à Pastoral Familiar e demais institutos, movimentos, associações e serviços deste setor?
Palavra de Deus:
Atos 2,42-47.
Pontos para reflexões:
Os primeiros cristãos tinham a comunidade como uma extensão de sua família. Ali são aprimorados os valores que são intrinsecamente familiares: fraternidade, doação, partilha e unidade. Bem significativo é o fato de que, neste período, os encontros acontecem nas casas das famílias. Toda família é envolvida e perseverante no ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir o pão eucarístico e nas orações. A comunidade e cada um dos membros crescem no número e na qualidade.
As paróquias devem ser lugares de formação permanente. Para obter um trabalho mais eficaz e fecundo, a favor da promoção e fortalecimento da vida das famílias e ajudar a família em sua árdua tarefa como formadora de valores, é necessário:
Anunciar com coragem, celebrar com alegria e viver com esperança a boa nova da família, do matrimonio e da vida.
Frente a um mundo onde se vive o relativismo moral, a pragmatismo, o hedonismo, o egoísmo, a ambigüidade, a superficialidade, é necessário dar razão de nossa fé, por isso deve formar discípulos missionários.
Que cada paróquia procure a implementação de uma equipe de Pastoral Familiar, impulsionada e promovida por seu pároco como responsável, juntamente com o bispo.

Que a paróquia seja um lugar de encontro onde se juntam os diversos organismos, movimentos que trabalham a favor das famílias e demais grupos paroquiais, para a promoção e o progresso da família.
Que a paróquia seja também um lugar de encontro entre os diversos grupos apostólicos, pastorais, e que leve em conta em todos seus programas formativos a pastoral familiar.
A paróquia deve procurar a preparação e a formação adequada para os noivos, especialmente dos que estão próximos a casar-se, dos matrimônios jovens, dos matrimônios de idade madura, a orientação e aconselhamento dos casais que vivem em situação especial e irregular, das viúvas, das crianças de rua e na rua, das mães solteiras, da formação de adolescentes e jovens, da educação na sexualidade, da promoção e defesa da vida em todas as suas etapas e de promover em todos os âmbitos a cultura da vida.
A paróquia é escola de santidade, onde são anunciados, promovidos, difundidos e se garantidos os valores humanos e cristãos.
Fatos da vida
Terezinha é casada com Nonato e formam com os filhos Gérson, Ulisses e Marina uma bela e invejável família. É verdade que este casal vem de famílias onde se transmitiu muito bem os valores cristãos e humanos. Porém, testemunha Terezinha, viram-se em apuros diante da grande responsabilidade de educar os filhos num tempo muito diferente do deles e numa realidade de cidade grande. Os dois trabalham e o tempo para a família é escasso. Terezinha decide abdicar do trabalho por um período considerável, para estar mais com as crianças e acompanhá-las melhor. Nos domingos, todos estão presentes e engajados na sua paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Dos momentos celebrativos passando pelos formativos e caritativos estavam sempre juntos e empenhados. Era ainda uma família amiga do pároco e freqüentam até mesmo o seminário diocesano, mantendo bom relacionamento com formadores e seminaristas. Hoje, Terezinha vê que todo sacrifício valeu a pena, os filhos, bem sucedidos no mundo profissional e afetivo, continuam com suas famílias a vivência paroquial. Isto traz muito contentamento a Terezinha e Nonato. Os valores humanos e cristãos são aprendidos em família, mais a vivência comunitária e paroquial os aperfeiçoa.
Compromisso:
Escolher ao menos uma das tarefas acima citadas para serem assumidas em grupo e na comunidade paroquial.
Benção:
Ó Pai querido, Vós organizais a Vossa Igreja para que mais eficazmente cumpra a sua missão de educadora na fé e sacramento de salvação. Deste-nos a famílias como primeira Igreja e a paróquia como extensão de nossa casa. Abençoai nosso pároco! Fazei que continue sua missão de coordenar todas as famílias na unidade. Abençoai-nos para que continuemos nosso compromisso com a família na paróquia e na sociedade. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.



5º ENCONTRO:
A FAMÍLIA E A SEXUALIDADE
A sexualidade é uma riqueza e faz parte do ser humano, é a capacidade de entrar em relação e comunicação com os outros, sinal e lugar da abertura, do encontro e do diálogo. A sexualidade é a expressão da pessoa intimamente orientada ao amor e ao dom, à fecundidade na conjugalidade ou à escolha virginal.
A sexualidade tem uma função personalizante, pois nos leva a formar, desde criança, com o contato com o pai e mãe, nossa própria personalidade e assumir nossa identidade sexual. A sexualidade tem também uma função socializante porque nos impulsiona a sair de nós para entrarmos em comunicação. E conseqüentemente, em comunhão com os outros. Educar a sexualidade é educar para a castidade, e isto é tarefa fundamental da família, ambiente onde deve haver um clima favorável contrario a uma cultura fortemente condicionada pelos efeitos da resolução sexual.
O Papa Paulo VI chamou-nos a atenção na Enciclica Humanae Vitae, dizendo que não é possível a procriação responsável sem adquirir a capacidade de orientar o instinto sexual a serviço do amor e do desenvolvimento integral da personalidade. Esclarecendo o conceito de castidade, que é a força espiritual que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade e sabe promove-lo para sua plena realização, entenderemos que a castidade não levar o desprezo ao corpo, nem à desvalorização da vida sexual, mas sim à elevação do corpo sexuado ao nível da dignidade da pessoa. Esta disposição ou tendência de harmonizar as energias da afetividade com o valor da pessoa humana é definida como "integração" e pressupõe a capacidade de auto possuir-se e auto dominar-se.
A redução da sexualidade à mera questão de instinto e da genitalidade tem favorecido suas manifestações mais extremas e íntimas, bem como o crescimento da pornografia e da violência sexual. É urgente orientar nossos adolescentes e jovens para refletir que a verdadeira sexualidade deve ter como objetivo principal indicar e motivar a que sejam alcançadas grandes metas na vida, entre elas: o crescimento do eu e da autoestima; o sentido da dignidade própria; a capacidade de autodomínio; a abertura a um projeto de vida; a coerência e o equilíbrio interior e a aquisição de um grande apreço pelos valores do matrimônio e da família. É necessária uma verdadeira educação dirigida à vontade, aos sentimentos e às emoções.
Para conversar:
  1. Por que o campo da sexualidade é terreno sobre qual a maioria das pessoas tem dificuldade de lidar?
  2. Como este tema é tratada em nossa família? Conseguimos falar com nossos filhos, respeitando sua idade, sobre sexualidade e afetividade?
  3. Para onde a sexualidade tende conduzir o homem e a mulher e as comunidades humanas?
  4. Diante de tudo isso, qual é a nossa missão?
Palavra de Deus:
I Coríntios 13,1-13

Pontos para reflexões:
São Paulo nos diz que o Amor possui diversas características importantes, como: paciência, compaixão, misericórdia, entre outras. Em nossos relacionamentos deveríamos testemunhá-las para o bem de nossa sexualidade e para ensinamento dessa dimensão do ser humano aos nossos filhos.
São Paulo enfatiza que o amor nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita e nem guarda rancor. No nosso relacionamento como casal cristão, precisamos experimentar profundamente essas atitudes, pois somente assim construímos uma comunidade de vida e amor, que supera o Eros e atinge o Ágape.
Percebemos a educação sexual de nossas crianças, adolescentes e jovens, num mundo erotizado, deturpa o ideal do amor verdadeiro para privilegiar um amor instintivo, egoísta, que chamamos às vezes de paixão.
Não construirá relacionamentos verdadeiramente saudáveis e estáveis, a não ser na busca contínua de experienciar o amor ágape como a Palavra de Deus nos aponta. Cada um de nós então deve se perguntar como está a educação sexual e a vivência da sexualidade na sua família.
Fatos da vida
Madalena tem 14 anos. Sofre muito porque seus pais não a deixam fazer tudo o que quer. Por exemplo, quando vai a uma festa, seus pais lhe dizem: "volte antes das 10h". Madalena quando encontra seus colegas resmunga e reclama contra seus pais dizendo que eles são bitolados e que ela sabe o que faz, que ela é madura.
Quando está sozinha chora, pensando: "meus pais não confiam em mim. Pensam que sou uma criança, enquanto meu corpo é um corpo de moça! Não sou mais criança, não. Eu sei o que faço!"
No momento de liberdade ela aproveita para encontrar-se com uma turma, a turma da Aline, do Valdeci... Aí ela se sente tão bem! Sente-se livre!
Outro dia teve uma festa na casa de Valdeci e Madalena gostou tanto de batida de maracujá, que até ficou tontinha...
Agora cada vez que se encontra com a turma, toma cerveja, outra bebida alcoólica. Ela se sente ótima, livre, leve e solta!
Madalena começou a namorar com André, colega de Valdeci, com quem ela se sente bem e gosta de ficar em silêncio ao lado dele, dando e recebendo carinhos.
Um dia no ônibus, conheceu Paulo... Ele teve tanto jeito, foi tão carinhoso que Madalena se derreteu nos braços dele. Madalena e Paulo não foram a um motel porque um colega dela atrapalhou tudo.
Assim Madalena foi levando sua vida até que um dia encontrou-se com uma antiga turma de colegas e eles discutiam o que era liberdade. E diziam: "Liberdade não é fazer tudo que se


quer, liberdade não é libertinagem..." Madalena entrou na conversa e discordou porque para ela liberdade era fazer o que ela faz, o que ela quer.
Mas a turma conhecia bem a vida que ela levava. Sabia que essa vida fazia dela escrava da bebida, do sexo, dela mesma...
Madalena revoltou-se e foi embora, mas ficou encucada com a conversa. Refletiu muito, muito mesmo e pensou que até poderia mudar. Mas foi difícil porque tudo que ela via só falava de sexo e bebida então corria para os braços de Paulo e de um copo de cerveja. Então, Madalena descobriu que sozinha seria muito difícil e resolveu procurar um grupo de jovens para tentar caminhar e encontrar a verdadeira liberdade.
Madalena completou 15 anos no mês passado e o grupo da qual participa fez-lhe uma festinha, o que a emocionou muito. Aí Madalena levantou-se e disse aos colegas: - "Vocês se lembram daquela época em que eu só falava em ser livre? Eu fiz tantas besteiras pensando que ser livre era seguir os meus caprichos, todos os meus desejos, eu descobri graças a vocês que ser livre não era isso não. Hoje, estou fazendo uma grande descoberta: que ser livre é amar. É viver na amizade. Ser livre é amar meus pais e meus irmãos como eles são. Ser livre não é fazer o que quero, mas é fazer o que se deve".
Compromisso:
Criar um momento de diálogo sobre a sexualidade na vida da família.
Benção:
Ó Pai de amor e misericórdia, amparai-nos e fortalecei-nos para que possamos descobrir o verdadeiro sentido do amor. Abençoai nossos jovens e adolescentes para que descubram a grandeza e a beleza de seu corpo e sua dignidade, a fim de que vivam sadiamente a sexualidade em suas vidas. Amparai-os nas duvidas e incertezas e que vosso Divino Espírito Santo ilumine os pais, para que orientem seus filhos no amor a Vós e a Vosso Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.











6º ENCONTRO:
ASPECTOS ECONÔMICOS DA FAMILIA QUE FORMA
A nossa atitude para com as coisas materiais tem um grande impacto no relacionamento com Deus. A nossa ganância por bens materiais pode nos tornar egoístas e fazer com que nos esqueçamos de Deus e daqueles nos quais ele se revela.
A maneira de lidarmos com o que possuímos é uma indicação do nosso compromisso para com Deus. Para Ele o que mais importa não é o que temos, mas a nossa atitude para com o que temos.
A doutrina social da Igreja nos alerta para termos muito cuidado com a busca desenfreada para acumular riquezas. Jesus Cristo não condena a riqueza em si, mas sim o apego aos bens materiais.
Em várias passagens Bíblicas somos desafiados a analisar a nossa atitude para com os recursos e bens que possuímos. Somente quando a nossa atitude estiver sustentada pelos valores cristãos é que usaremos os nossos bens materiais de uma forma que sirva a Deus e àqueles que estão ao nosso redor.
Não podemos ignorar que a qualidade da sociedade depende, principalmente, da qualidade dos relacionamentos familiares. A família bem estruturada, afetiva e economicamente, é formadora de valores morais e cristãos, essenciais para uma sociedade mais justa e solidária.
Para conversar:
  1. "A pobreza não é uma fatalidade, nem é resultado de fenômenos naturais". Você concorda com essa afirmação? Porque?
  2. Quais os problemas de ordem econômica que sufocam a harmonia, a tranqüilidade e a paz familiar? O que podemos fazer conscientemente para mudar esta situação?
  3. Como nossa família pode educar para o bom uso dos bens materiais? Descobrir caminhos concretos.
Palavra de Deus:
2 Coríntios 8,1-15
Pontos para reflexões:
Paulo incentiva os Coríntios, a serem generosos como os macedônios.
Nossa igreja se assemelha mais com a igreja de Corinto (mais fechada em si mesma) ou com a da Macedônia (mais generosa, apesar das mesmas dificuldades)? Como chegamos a essa conclusão?
Frente a um mundo consumista e egoísta, a família cristã deve ser um farol a iluminar o mundo pelo amor e doação daquilo que é e daquilo que tem. Na prática, o que significa doar generosamente?
Nosso planeta não agüenta tanta exploração de suas riquezas para satisfazer os mais absurdos caprichos do homem contemporâneo. Devemos propor ao mundo a economia de

comunhão, da solidariedade. A família tem um papel primordial para a salvação do mundo. Como nossa família tem praticado a generosidade entre seus membros e com a comunidade?
Quando se educa para i amor, a partilha, a doação e família. Quantos relacionamentos familiares não são destruídos pelo problema de herança ou apegos parecidos! Pensando na família e com a família, reflita: - é mais fácil ganhar, economizar ou doar? Por Quê?
Fatos da vida
No país dos poços existiam poços de todos os tamanhos, desde o tamanho de um buraco do fundo de uma agulha até a largura de enormes crateras. Cada qual vivia para si e cada um se preocupava com os seus próprios problemas. E dentre inúmeros poços, um deles olhava para tudo o que tinha ao seu redor: grama, pedras, árvores, pássaros e etc, e diante de tudo isso começou a se inquietar, a sentir um vazio dentro de si e esse sentimento foi crescendo cada vez mais, até o ponto dele se perguntar qual era o sentido da existência dele, mas não encontrava respostas.
Um dia ele acordou, e a angústia que sentia era tão grande que pensou: " O vazio que sinto está insuportável, vou ter que fazer alguma coisa." Então, ele começou a engolir a grama que estava perto dele, pra ver se preenchia o vazio; depois engoliu um monte de pedras, mas o vazio ainda estava lá. E olhando para uma árvore, pensou: "O vazio ainda continua, mas se engolir aquela árvore vou me sentir melhor". E "zás", engoliu a árvore, mas o vazio ainda estava lá.
Vendo que nada resolvia, pensou: "já engoli tudo o que estava ao meu redor, mas ao invés de me senti melhor, cada vez mais sinto pior e o vazio só aumenta na medida em que fui trazendo tudo para dentro de mim". Foi quando ele teve uma idéia: " Quanto mais eu engoli, pior eu me senti. E se eu começar a colocar para fora tudo que está dentro de mim,como vou me sentir?" Então, ele colocou para fora a árvore, e sentiu o vazio diminuir. Devolveu as pedras, e o vazio diminuiu ainda mais e isto animou a devolver tudo o que já tinha engolido. Mas o vazio inicial ainda estava lá. E pensou: "O que me resta a fazer?" Ele começou a olhar mais para dentro de si, e foi descendo, descendo, até que: - "Ops, que coisa fria e molhada é esta que tenho aqui". E percebeu que dentro de si tinha muita água e que esta água passava dentro de todos os poços, mas que nunca ninguém lhe tinha falado disso ou o que fazer com ela. Então pensou: "Na medida em que fui tirando as coisas de dentro de mim, fui me sentindo melhor, e se eu jogasse essa água para fora?" E começou a jogar a água para fora, e na medida em que fazia isso foi se sentindo melhor e o vazio foi desaparecendo, dando lugar a uma grande alegria. Passou longo tempo contemplando essa nova realidade, e quando voltou a olhar para fora de si, teve uma grande surpresa: a grama estava verdinha, inúmeras flores surgiram ao seu redor, a árvores estava produzindo frutos; abelhas, pássaros e animais silvestres faziam festa ao redor do poço. Foi quando ele descobriu a sua verdadeira vocação, que era de partilhar aquilo que estava dentro de si, e encontrando a novidade da partilha, encontrou a felicidade.




Compromisso:
Que tal reservar um dia da semana para que sua família faça uma visita a uma instituição ou família carente, fazendo uma experiência de partilha.
Que tal fazer uma séria revisão sobre a utilização de seu salário, privilegiando o essencial e eliminando o supérfluo, de maneira mais consciente e planejada?
Você reconhece que tudo o que tem vem de Deus, louva Deus pelas conquistas e está aberto à partilha sendo fiel ao dizimo em sua paróquia?
























7º ENCONTRO:
A FAMÍLIA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
No principio podemos imaginar os sinais e as expressões corporais, certamente, como as primeiras manifestações de comunicação da humanidade, principalmente no sentido de alertar contra os perigos existentes no meio em que viviam esses primeiros "comunicadores". O aviso contra o perigo de maneira sinalizada poderia ter sua eficiência, mas certamente foram os sons que completaram o que os sinais apontavam pois, com sons, o aviso tornava-se mais eficiente e os perigos seriam facilmente evitados. De posse dessas duas ferramentas eficiente, é possível imaginar os "comunicadores" indicando os melhores lugares para a caça e a extração da comida.
Foi inevitável a ligação de nos coordenados e padronizados para dar nome a objetos, aos locais, às situações e até mesmo às coisas não tão concretas, como idéias e emoções. A linguagem vivida do ser humano favoreceu o desenvolvimento da sociedade mais organizada. Já era possível alertar, informar e divertir. E quando se percebeu que a informação falada e expressa nos gestos poderia ser esquecida dificilmente reproduzida por outros, surgiu naturalmente a necessidade de gravar essa informação através de símbolos e caracteres.
E, então, surge a linguagem escrita, que completou o quadro da comunicação. Nascida na iconografia das cavernas primitivas, que contava as aventuras di ser humano, passou pela gravação em diversos materiais, da argila ao papel, e ao longo dos séculos cumpriu sua função junto com a fala e a expressão corporal. Esse princípio da comunicação dos meios ainda é utilizado hoje, pois apesar da tecnologia envolvida, são os melhores comunicadores aqueles que dominam a expressão oral, corporal e escrita.
De fato, toda a comunicação que temos hoje usa como base essas três formas de expressão. Tomando como ponto de partida essa evolução, lenta no princípio, temos hoje uma verdadeira revolução, em pleno século XXI, nós temos a possibilidade de ter a comunicação chegando a nós de diversas formas: impressa, radiotransmitida e teletransmitida. Tendo, essa última, pelo menos três meios disponíveis: a TV, a internet e os celulares.
Da necessidade de ter informação pontual, principalmente através de noticiários, as pessoas passaram a entregar à comunicação outras responsabilidades. Conforme a organização social crescia e as cidades se desenvolviam em ritmo cada vez mais acelerado, principalmente a partir do século XX, as pessoas passam a exigir que os meios de comunicação passem a oferecer-lhes entre suas casas aquilo que eles somente podiam ter saindo de casa: filmes como no cinema, peças teatrais como no teatro, shows como nos festivais...
Com a responsabilidade de ter isso tudo na TV, deixava de ser necessário o deslocamento para as salas de teatros, de cinemas ou auditórios para se obter algumas horas de diversão. Assim, um lazer completo, que envolvia o passeio e a participação em um evento, passa a ser um lazer parcial feito apenas pela audiência à TV, muito à vontade no sofá da sala. As apresentações musicais passam a ser aproveitadas a partir do rádio, o que oferece uma grande variedade de artistas em uma única hora, que nenhuma apresentação ao vivo poderia comportar.


Porém, da necessidade de informação e lazer, surgiu, com a falta de tempo e a decadência da cultura tradicional, uma nova função para os meios de comunicação: a formação a distância. E essa formação a distância, que ganhou espaço nas televisões, desde o final da década de 70, agora invade também a internet. Pessoas que precisam aprender, mas não tem tempo para ir a uma escola, podem ligar um aparelho e estudar. Mesmo não sendo o ideal, muitos reconhecem que é uma boa forma de "tirar o atraso" e atingir um objetivo.
Mas esse comodismo, atualmente, tem gerado um novo fenômeno muito importante. Devido a saída em massa da mulher-mãe para o mercado de trabalho, movimento inicial no final dos anos 80, principalmente devido a uma necessidade sócio-econômica , os meios de comunicação começaram a assumir um papel que fundamentalmente seria dos pais: a educação dos filhos. Pela falta de tempo, cada dia mais pais entregam a tutela dos seus filhos aos meios de comunicação.
O tempo que cada criança ou adolescente passa em frente ao computador, liga à internet ou jogando "games eletrônicos", em frente à televisão, seja assistindo programas cada vez mais destrutivos do ponto de vista educativo, ou assistindo filmes, ou também jogando "games", já é a maior que o tempo passado no escola e junto dos pais.
Dessa forma, sem que as pessoas se dêem conta, pois muitas vezes essas audiências das crianças e adolescentes não são monitoradas pelos pais, entrega-se a formação de toda uma nova sociedade aos empresários de comunicação, aos produtores dos meios e à ideologia dos patrocinadores, verdadeiros proprietários dos meios de comunicação. Transmite-se o que mais interessa ao ponto de vista do consumo e dos índices de audiência.
Na internet, o problema poder ainda pior: coma a possibilidade da disponibilização dos conteúdos sem a necessidade de grandes financiamentos, cada vez mais pessoas despejam na rede o que bem entendem e o que mais gostam, expondo de maneira livre e aberta aquilo que não deveria ser feito ou dito nem mesmo nos lugares mais escondidos. E as crianças e adolescentes ficam totalmente expostos a essa enorme quantidade de informações. Não é raro que os pais se surpreendam com as expressões, maneirismos e costumes de seus filhos adquirem "inexplicavelmente".
Quem interfere mais nos conteúdos dos meios de comunicação? Quem lucra realmente com aquilo que é transmitido? Uma coisa é certa: atualmente temos muito mais em conteúdo desnecessários, alarmista, tendencioso e parcial ao qual alguém pode dizer que seja consenso cultural ou social. Há conteúdo de gosto duvidoso e ate mesmo repulsivo. Há uma tendência à repetição e com, ela, a possibilidade de "vencer pelo cansaço", que acaba não senda percebida pela maioria da população, que quando percebe já estará vivendo um mundo muito diferente daquele que ela desejava para si.
Se persistir esse sistema de desenvolvimento dos meios de comunicação a sua interação com a audiência, onde terminará a pessoa e a família? Vamos ouvir um trecho da Bíblia onde veremos Jesus no papel de comunicador da Boa Notícia.
Palavra de Deus:
João 15,12-17


Pontos para reflexões:
Jesus apresenta aos discípulos uma novidades: Ele comunicou aos discípulos todo o conhecimento que havia recebido de Deus Pai. Portanto, daquele momento em diante, eles já não seriam mais discípulos, mas amigos, porque faziam parte, por causa dessa "comunicação de amor" de uma família.
"Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que eu ouvi de meu Pai"(v.15). em algumas traduções bíblicas temos neste trecho a palavra "comuniquei" ao invés de "dei a conhecer", pois são sinônimos na compreensão da mensagem que o mestre pretendia transmitir.
O mais importante neste trecho é compreender que quando recebemos informação através da comunicação, deveríamos ser inseridos em um contexto de vida mais "elevado" do que aquele no qual antes estávamos inseridos. Será que hoje quando recebemos a comunicação expressa pelos mais diversos meios de comunicação, estamos crescendo como pessoas e passando a um nível de vida mais elevado, como aconteceu com os discípulos de Jesus?
E, por fim, será que existe, de fato, por parte dos meios de comunicação a intenção de nos fazer pessoas melhores? Será que, em relação às famílias, que cada vez mais são alvo desses meios de comunicação, vemos uma intenção de fazê-las melhores, mais unidas e fortes na convicção de que elas são comunidades de amor e de vida?
Questionamento e Sugestões
O que eu posso fazer, objetiva e concretamente para reverter o processo decadente da comunicação dentro da minha família. Ou ainda, o que eu posso fazer para contribuir, de maneira pessoal, para uma comunicação mais voltada para as necessidades básicas da família, a saber: informação, formação e lazer inseridos em um conceito cultural e moral sadios?
O que nós podemos fazer para que os meios de comunicação não afetem a cultura e a tradição de nossas comunidades? Como interferir de maneira coletiva para que tenhamos os diversos direitos dos cidadãos respeitados no meio de comunicação.
Formular ideias que sejam, a médio e a longo prazo, cabíveis de execução e encaminhamentos junto à empresa gestoras dos meios de comunicação. Que projetos poderiam ser desenvolvidos pela população organizada ou exigida das empresas de comunicação para contribuir com o crescimento cultural e moral das famílias?
Oração final: Pai nosso Ecumênico
Jesus Cristo foi o maior comunicador que a Terra já conheceu, por diversas características que nós já conhecemos e por outras que ainda conheceremos. Ele nos ensinou a nos comunicarmos com Deus Pai, fonte de vida, do amor e da fraternidade entre os irmãos.
A exemplo de Jesus, sejamos comunicadores da verdade, da justiça e do amor. Sejamos verdadeiros em nossas intenções quando desejarmos expressar algo a alguem. Sejamos justos e não tememos enganar, nem manipular as pessoas para que acolham somente nossos interesses. Sejamos amorosos em comunicar sempre aquilo que possa fazer o outro crescer.

Sejamos também críticos em relação a tudo o que vemos e ouvimos dos meios de comunicação dos meios de comunicação. Não podemos mais ser iludidos, manipulados e muitas vezes conduzidos a fazermos o que não queremos fazer e a sermos quem não queremos ser.
E para selarmos esse nosso compromisso com Deus em com nossos irmãos, vamos rezar juntos o Pai nosso ecumênico.
Pai-Nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade assim na Terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém!

Nenhum comentário: